Emagrecimento

A Patente Caiu… e o Preço NÃO!

Com a expiração da patente da liraglutida, muitos esperavam uma queda expressiva de preço. O que se viu, na prática, foi diferente!

Dr. Eduardo Paglioni
19 de março, 2026
5 min de leitura
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A Patente Caiu… e o Preço NÃO!
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Com a expiração da patente da liraglutida, muitos esperavam uma queda expressiva de preço. O que se viu, na prática, foi diferente.

A pergunta que surge agora é direta: Quando a patente do Mounjaro cair, o preço vai despencar?

Para responder, é fundamental entender o que aconteceu com a liraglutida.

A liraglutida, agonista de GLP-1 de aplicação diária, foi comercializada por anos com exclusividade pela Novo Nordisk sob a marca Saxenda (obesidade) e Victoza (diabetes).

Com o vencimento da patente em diversos países, surgiram versões similares e genéricos.

A expectativa era clara:

  • Maior concorrência
  • Redução expressiva de preço
  • Ampliação de acesso

O que ocorreu foi mais complexo.

Mesmo com novos fabricantes, o preço não caiu proporcionalmente ao que se observa em medicamentos orais tradicionais. Por quê?

  1. Biológicos e peptídeos não seguem a mesma lógica dos genéricos clássicos: Liraglutida é um peptídeo complexo, produzido por biotecnologia. Não se trata de uma molécula sintética simples, como metformina ou losartana. Isso implica:
  • Cadeia produtiva sofisticada
  • Alto custo de fabricação
  • Exigências regulatórias mais rígidas
  • Necessidade de estudos de comparabilidade

O resultado: mesmo após a queda da patente, a barreira de entrada continua alta.

Esse mesmo raciocínio se aplica à tirzepatida.

  1. O fator caneta injetável: Outro ponto relevante é o dispositivo. O custo não está apenas na molécula. Inclui:
  • Sistema de aplicação
  • Tecnologia de estabilidade
  • Logística de cadeia fria
  • Registro sanitário do conjunto fármaco + dispositivo

A caneta representa parte significativa do custo final.

  1. Demanda explosiva mantém preços elevados: A obesidade se tornou uma das principais demandas de saúde pública global. Medicamentos como: Ozempic, Wegovy e Mounjaro apresentaram crescimento exponencial de procura. Quando a demanda é maior que a oferta, o mercado não pressiona para baixo.

A liraglutida mostrou exatamente isso: mesmo após a perda de exclusividade, a precificação permaneceu relativamente elevada em muitos mercados.

E o Mounjaro? O que esperar no futuro?

O Mounjaro contém tirzepatida, um agonista duplo de GIP e GLP-1, desenvolvido pela Eli Lilly. Alguns pontos técnicos relevantes:

  • É molécula biotecnológica complexa
  • Produção em larga escala ainda limitada
  • Forte proteção patentária ativa
  • Expansão contínua de indicações

Quando a patente cair (o que ainda deve levar anos), é improvável que o preço:

  • Caia abruptamente
  • Se torne comparável a medicamentos orais convencionais
  • Fique imediatamente acessível ao SUS sem negociação robusta

A experiência da liraglutida sugere que a queda tende a ser gradual e parcial, não abrupta. Além dos aspectos burocráticos. As agências regulatórias, como a Anvisa, exigem dados de comparabilidade, estabilidade, imunogenicidade e segurança para biossimilares. Isso prolonga o tempo até competição real no mercado.

O que a Liraglutida ensina

A experiência prática mostra que:

  • Patente vencida não significa medicamento barato
  • Biológicos seguem dinâmica diferente de genéricos clássicos
  • Demanda global sustenta preço
  • Dispositivo de aplicação pesa no custo
  • Acesso depende de políticas públicas e negociação institucional

Conclusão

Se a história da liraglutida serve como referência, o futuro da tirzepatida tende a seguir lógica semelhante.

Mesmo após o fim da exclusividade, o preço pode cair mas dificilmente despencará!

A democratização dependerá mais de políticas de incorporação e negociação do que apenas do calendário de patentes.

A discussão real não é apenas “quando a patente cai”, mas como o sistema de saúde negocia acesso a terapias biotecnológicas de alto impacto metabólico.

Esse é o aprendizado central que a liraglutida deixa — e que ajuda a entender o que esperar do Mounjaro nos próximos anos.

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